UMA NOVA MORALIDADE PARA A CIVILIZAÇÃO TECNOLÓGICA?

Maurício Fernandes

Resumo


Adentramos em uma época, definitivamente, sem precedentes. Uma época na qual todas as metanarrativas se esvaziaram normativamente, os exemplos de outrora de tornaram opacos, enquanto transitamos na terra de ninguém, no vazio ético. Os valores, antes encarados como sólidos, se desmancharam no ar, ao passo que os novos valores encarnados pelo novo homem moderno, ainda não despontaram no horizonte. A Modernidade não possui de onde retirar seus exemplos, exceto de si mesma, da tentativa de construir estes novos valores e normatividade. A vida danificada aparece em um horizonte próximo em nossa sociedade, é posta por todos os lados na perspectiva dos sujeitos que, saqueados de seu potencial de emancipação e autonomia, transitam na perspectiva imposta pelo mercado e pelo controle biopolítico dos corpos, e na transformação do sujeito em um mero conjunto de dados (Gläserner Mensch). A única possibilidade de recobrar-se deste cenário é a reabilitação de conteúdos que articulem uma tomada de posicionamento que restitua ao sujeito a possibilidade de projetar uma autobiografia de uma vida não danificada. Esta restituição da autonomia do sujeito, a responsabilidade e a tomada de decisões em cenários práticos implicam em um novo rumo ao quadro de nossa moralidade. É precisamente neste novo rumo que centramos esforços neste texto, no intuito de expor uma problemática complexa, da qual uma possível e necessária resolução seja a construção de uma nova moralidade. Um novo tipo de relação com nosso poder investido pela tecnociência, e nosso existir. Neste contexto há um itinerário marcado por contributos da Hermenêutica que podem ser assumidos na construção desta nova moralidade.

 


Texto completo:

PDF

Referências


CLOTET, J. (Org.). Bioética. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012.

FERNANDES, M. Sobre o conceito de técnica em Jürgen Habermas: Traços de uma Filosofia da Tecnologia. 2018. 190 f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Escola de Humanidades – Faculdade de Filosofia, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), São Leopoldo, 2018.

FERRATER MORA, J. Sobre la sociedad contemporanea: Técnica y civilización. Revista Realidad, v. 2 (no. 6., Noviembre-Diciembre), 1947, pp. 366-376.

GADAMER, H-G. Wahrheit und Methode: Ergänzungen; Register. 2. ed. GesammelteWerke, Bd. 2. Tübingen: Mohr Siebeck, 1993.

HABERMAS, J. O futuro da natureza humana: A caminho de uma eugenia liberal? Trad. Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

JONAS, J. Das Prinzip Verantwortung. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1984.

KOLATA, G. Scientist reports first cloning ever of adult mammal. In: The New York Times. 23 fev. 1997.

MAX-PLANCK-GESELLSCHAFT. Scientists unite for peace. The Göttingen Manifesto against nuclear weapons: 1957. [S.l.], 2018. Disponível em: . Acesso em: 07 jun. 2018.

PIZZI, J. Ética do Discurso: A racionalidade ético-comunicativa. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996.

WILSON, E. O. Altruism and the New Enlightenment. An Interview with E. O. Wilson. In: Slate. April 30, 2012. Disponível em: https://slate.com/technology/2012/04/e-o-wilson-on-altruism-and-the-new-enlightenment.html. Acesso em: 25/08/2019.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Maurício Fernandes

 

 

 Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

 

ISSN: 2448-0916.

______________________________________________


 

/ // DRJI Indexed Journal / / / /