MORTE, SIGNIFICAÇÃO E OS LIMITES DA REPRESENTAÇÃO: UM PERCURSO DERRIDIANO DE HUSSERL A HEIDEGGER

Ricardo Avalone Athanásio Dantas, Gustavo Silvano Batista

Resumo


Partindo do pressuposto segundo o qual a atitude fenomenológica é constituída de uma simultaneidade entre o processo subjetivo e imanente e o próprio objeto em sua constituição na imanência, pretende-se neste artigo investigar as razões pelas quais Husserl não a concretiza plenamente. Assim, 1) ao considerar que o objeto só é possível à medida que o mesmo está no horizonte da intencionalidade, concebendo o ato intencional como constituinte da aparição do objeto; e 2) ao buscar fundamentar o conhecimento na consciência ideal/transcendental que constitui a idealidade capaz de salvar o domínio da presença na repetição – de uma presença que não corresponde estritamente a nada que existe no mundo, mas é correlata dos atos de repetição ideais. Qual a causa dessa dificuldade, desse (aparente) paradoxo? Husserl manteve-se preso ao esquema empirista (Lévinas)? Operou um recorte do a priori lógico no interior mesmo do a priori geral da linguagem, repetindo por outros meios a intenção original da metafísica, afirmando assim o ser como presença (Derrida)? Ou talvez um descuido originário por parte de Husserl com relação ao campo temático da fenomenologia e a tarefa de ver e explicitar a existência em seu ser (Heidegger) o impediu de perceber que o que provavelmente está em jogo naquilo que abre quando se assegura o movimento da idealização é uma certa relação do existente com sua morte (Derrida)? Analisaremos as hipóteses levantadas considerando privilegiadamente o modo como os limites da representação se manifestam a partir da radicalização do questionamento acerca da relação entre significação e morte.


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