Técnica e niilismo: a urgência de uma nova ética em Hans Jonas

José Carlos Moreira

Resumo


Nosso propósito aqui é em linhas gerais mostrar que do advento da técnica que se impõe na era moderna, resulta o niilismo, que por sua vez decreta: o fim da metafísica e o relativismo de valores como “ecos” de um projeto de razão, cuja promessa era em primeira instância, elevar o homem à condição de ser autônomo mediante o saber que o torna capaz de dominar a natureza. Entretanto, se por um lado, a civilização moderna celebra o triunfo da razão demonstrativa, por outro lado, esta mesma civilização, assiste concomitantemente ao abandono da metafísica e da ética, fatores estes que corroboram o niilismo e o relativismo de valores que ora vivemos. Tais fatores levam a uma incerteza em relação à continuidade da vida humana e extra-humana que agora encontra-se ameaçada pelo poder da técnica por meio da ação humana. Como alternativa a este cenário, apresentaremos a teoria da responsabilidade inaugurada por Hans Jonas como a nova ética do futuro, com os seus fundamentos metafísicos e os dois arquétipos que segundo Jonas, melhor representam sua teoria ética. Isto é, a responsabilidade do estadista e aquela dos pais em relação aos filhos. Se a técnica e o niilismo dela decorrente nos apontam para um cenário de incertezas em relação ao futuro, destacaremos essas duas formas de responsabilidades como via de superação do niilismo. Em Jonas a responsabilidade como tarefa do homem de Estado, consiste em assegurar no presente a possibilidade de que no futuro haja homens capazes de assumir responsabilidade. De igual modo, a responsabilidade dos pais em relação aos filhos trata-se de cuidar da vida. O que abri caminhos para a possibilidade de continuidade da existência de vidas no mundo de amanhã, pois o nascimento de uma criança representa o recomeço da humanidade. Sendo assim, a responsabilidade dos pais para com os filhos definirá no presente, um novo sujeito para um futuro novo.

Palavras-chave


Técnica; niilismo; responsabilidade.

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